DR # 352 Modelo alternativo para o desenvolvimento agrícola para a Zambézia (English version available)

Autor: Jan De Moor

Zambézia emergiu do tempo colonial mutilada. Durante a época colonial, foram instaladas em grande escala plantações na Zambézia – mais do que em qualquer outra província de Moçambique. A cultura de plantação, absolutamente autoritária, que foi imposta à população teve, até agora, um efeito na consciência social das comunidades rurais. No final do século XIX e início do século XX, os povos da Zambézia resistiram ao domínio colonial. Um exemplo é o movimento Matchingiri de Morrumbala em que as plantações de ópio em Mopeia foram atacadas, e, décadas mais tarde, os ataques em Maganja da Costa. Esta resistência foi brutalmente reprimida, após o que a população só pôde oferecer resistência passiva. No entanto, após gerações, a subordinação foi incorporada na mentalidade colectiva na Zambézia, no sentido de que era preciso sobreviver nessa posição subordinada. O “patrão” ficou imposto.

O novo regime tentou tirar a economia dos “carris” coloniais, mas as nacionalizações e a chamada proletarização dos camponeses – levadas a cabo com fanatismo partidário – falharam devido a uma absoluta falta de compreensão das relações sociais na sociedade pós-plantação. O sistema de partido único provocou resistência na população que – alimentada pelo sistema de apartheid da África do Sul – culminou, mais tarde, numa guerra civil que durou de 1976 a 1992. A população rural da Alta Zambézia foi forçada a mudar-se em massa para o Malawi. Economicamente, a província ficou literalmente paralisada e grande parte da infra estrutura foi destruída. A província sofreu durante décadas com uma falta crónica de investimento em áreas produtivas.

Nos últimos dez anos, um novo fenómeno manifestou-se na Zambézia; nomeadamente mineração não controlada. Existem dezenas de minas artesanais espalhadas pela província onde reina a anarquia, onde as comunidades locais são excluídas e a riqueza permanece nas mãos de outros. Mas o pior está a acontecer ao longo da bela costa da Zambézia, onde empresas chinesas e russas – autorizadas a nível nacional – exploram areias pesadas e extraem elementos de alto valor para indústrias no estrangeiro. A população local é aterrorizada e completamente marginalizada, enquanto as características e formas costeiras naturais são fundamentalmente danificadas.

A pobreza vai continuar e é provável que aumente caso os camponeses sejam mantidos numa posição em que não possam exercer poder e pressão. Em que camponeses são vistos, para citar uma famosa expressão, “como um saco de batatas”. Por conseguinte, o texto a seguir adopta uma estratégia de capacitação para facilitar os camponeses a exercer poder através do desenvolvimento organizacional e institucional.

Zambézia emerged from colonial times mutilated. During the colonial era, plantations were established on a large scale in Zambezia – more than in any other province of Mozambique. The absolutely authoritarian plantation culture that was imposed on the population has, to this day, had an effect on the social consciousness of rural communities. In the late 19th and early 20th centuries, the people of Zambezia resisted colonial rule. One example is the Matchingiri movement in Morrumbala, in which opium plantations in Mopeia were attacked, and, decades later, the attacks in Maganja da Costa. This resistance was brutally repressed, after which the population could only offer passive resistance. However, after generations, subordination was incorporated into the collective mentality in Zambezia, in the sense that it was necessary to survive in this subordinate position. The “boss” was imposed.

The new regime attempted to derail the economy from the colonial “rails,” but the nationalizations and the so-called proletarianization of the peasants—carried out with party fanaticism—failed due to an absolute lack of understanding of social relations in post-plantation society. The one-party system provoked resistance from the population which—fuelled by South Africa’s apartheid system— culminated in a civil war that lasted from 1976 to 1992. The rural population of Upper Zambezia was forced to migrate in masse to Malawi. Economically, the province was literally paralyzed, and much of the infrastructure was destroyed. The province suffered for decades from a chronic lack of investment in productive areas.

In the last ten years, a new phenomenon has manifested itself in Zambezia; namely, uncontrolled mining. There are dozens of artisanal mines scattered throughout the province where anarchy reigns, where local communities are excluded, and wealth remains in the hands of others. But the worst is happening along the beautiful Zambezia coast, where Chinese and Russian companies – authorized nationally – are exploiting heavy sands and extracting high-value elements for industries abroad. The local population is terrorized and completely marginalized, while the natural coastal features and forms are fundamentally damaged.

Poverty will continue and is likely to increase if farmers are kept in a position where they cannot exert power and pressure. Wherein farmers are seen, to quote a famous popular expression, “as a sack of potatoes.” Therefore, the following text adopts an empowerment strategy to enable farmers to exercise power through organizational and institutional development.

Novembro de 2025

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