O DR analisa de forma integrada os recentes reajustes do salário mínimo e o aumento dos preços dos combustíveis em Moçambique, argumentando que a abordagem isolada destes fenómenos é economicamente insuficiente e socialmente enganosa. Em 2026, os reajustes salariais sectoriais variaram entre cerca de 3% e 9,3%, enquanto os preços dos combustíveis, em particular do gasóleo, registaram aumentos superiores a 45%, gerando uma deterioração significativa do poder de compra real dos trabalhadores.
A análise demonstra que a economia moçambicana apresenta fragilidades estruturais profundas, caracterizadas por elevada dependência de importações de combustíveis, escassez crónica de divisas, crescimento económico inferior ao crescimento populacional e elevada informalidade laboral. Neste contexto, os ganhos nominais do salário mínimo são rapidamente anulados pela inflação alimentar e pelos custos de transporte, afectando tanto trabalhadores formais como, de forma mais severa, trabalhadores informais, camponeses e pequenos comerciantes.

