Autor: Yasser Arafat Dadá
Este Destaque Rural analisa 50 anos (1975–2025) de choques climáticos no meio rural moçambicano, evidenciando a elevada vulnerabilidade do país a secas, cheias e ciclones. Desde as cheias de 1977–78 e a seca de 1981–84, até ciclones como Idai (2019) e Freddy (2023), os impactos traduziram-se em perdas humanas, deslocamentos e destruição de infraestruturas e meios de subsistência. A resposta camponesa combinou estratégias tradicionais (diversificação de machambas e culturas, mobilidade, uso de saberes locais) com inovações científicas, como sementes resistentes à seca, agricultura de conservação, sistemas de irrigação e reforço do alerta precoce.
As políticas públicas passaram de uma dependência da ajuda externa no pós-independência para estruturas nacionais de gestão do risco, como o INGC, CENOE e Estratégia Nacional de Adaptação, incorporando medidas de protecção costeira, recuperação ambiental e protecção social. Apesar dos avanços, a crescente frequência e intensidade dos eventos limita o tempo de recuperação da população afectada.
O futuro da resiliência rural exige adaptação transformativa: diversificação económica, empoderamento, integração de conhecimento tradicional e moderno, educação e capacitação, protecção ambiental e ordenamento territorial. Medidas como seguros agrícolas, fundos comunitários, tecnologias acessíveis e gestão integrada de bacias são essenciais para reduzir vulnerabilidades.
Conclui-se que a experiência histórica revela tanto a fragilidade como a tenacidade do meio rural. O desafio é maior no futuro mas há bases (conhecimento, consciência política e exemplos bem-sucedidos) para que os pequenos produtores não só resistam mas prosperem num clima em mudança.
Agosto de 2025

