Autora: Natasha Sofia Ribeiro
Os mercados de Carbono são vistos como uma estratégia para mitigar o efeito das mudanças climáticas através da redução do desmatamento e da degradação florestal, para além de garantirem o financiamento à conservação da biodiversidade. Contudo, os mercados de C nem sempre estão assentes em bases socio-ecológicas representativas de realidades locais. Este DR analisa os aspectos relacionados com a socio-ecologia dos ecossistemas florestais em Moçambique, providenciando uma base para o fortalecimento do papel dos mercados de C na construção da resiliência climática.
A maior parte das florestas em Moçambique estão historicamente ligadas a perturbações ecológicas, como as secas, as queimadas e a herbivoria. As actividades humanas, como a agricultura, caça, produção de energia, entre outras, estão também intimamente (e secularmente) conectadas à dinâmica das florestas, sendo importantes para a sua sustentabilidade. Portanto, entender estas relações intrínsecas e complexas é de crucial importância para o sucesso dos mercados de C. Contudo, nem sempre a tomada de decisão relacionada com o desenho e implementação de projectos de C assenta nessa base. Mais ainda, é importante que este tipo de projectos seja adaptado a realidades locais, nem sempre compatíveis com o conceito de C como uma mercadoria.
Da análise efectuada conclui-se que a sustentabilidade dos mercados de C em Moçambique depende de um processo de co-criação, tendo as comunidades e ecossistemas locais como a base fundamental. Para tal, recomenda-se três caminhos principais: (i) Definir critérios e indicadores de biodiversidade chave para o maneio florestal; (ii) enveredar por uma abordagem de paisagem florestal, por forma a minimizar (ou eliminar a longo-prazo) a actuação em silos, a qual pode comprometer o sucesso dos projectos; (iii) garantir que as práticas e crenças tradicionais de maneio dos ecossistemas sejam capitalizadas (ajustadas, se necessário, mas valorizadas). Finalmente, a continuidade da investigação fundamental e aplicada é a base das mudanças de paradigmas a que se apela neste DR.
Março de 2026



