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DR # 191 Camponês esquecido e traído

Autor: João Mosca

Resumo:

Este texto ressalta a instrumentalização, através de opções de políticas e de estratégias militares, económicas e eleitorais, utilizadas em relação aos camponeses sempre que estes fossem um grupo social necessário para o alcance desses objectivos pelas elites do poder. Posteriormente, após atingido o objectivo, segue-se a marginalização da maioria da população e, em particular, da que reside no meio rural, mantendo-a em situação de pobreza com aprofundamento das desigualdades e sem papel nos novos sistemas e regimes políticos para os quais contribuíram, fazendo sugerir a condição de grupo social esquecido e traído.

O autor destaca o caso moçambicano, desde a luta de libertação nacional, as formas de envolvimento dos camponeses nas opções de desenvolvimento do “socialismo”, da liberalização económica e desde princípios deste século, marginalizando-o das políticas públicas ou integrando-os em cadeias de valor de bens para exportação no quadro de um modelo extractivista e de processos de desigualdades sociais, mesmo que, em alguns casos, com beneficiários de entre os pequenos produtores.

Neste momento, não existem muitas alternativas que não sejam que o campesinato, ele próprio, a muito longo prazo, esteja formado e informado, possua organização enquanto cidadãos e produtores para a defesa dos seus interesses e que surjam elites a partir de baixo. Considerando que a pobreza é funcional com regimes autoritários e para a acumulação de capital, é essencial a redução dessa funcionalidade através de estratégias de desenvolvimento local, a “partir de baixo”, com modelos de crescimento/desenvolvimento endógeno e de base social alargada e a configuração de cadeias de valor geradoras de acumulação e reinvestimento local. 

Autor

Mês

Outubro

Ano

2022