Autores: Natacha Bruna e Nehemias Lasse
Devido à elevada riqueza em biodiversidade, Moçambique tem-se tornado um destino de projectos de geração de créditos de carbono, os quais são utilizados como estratégia de mitigação climática global. Este texto analisa o projecto MozBlue, o primeiro de carbono azul registado no país e dos maiores de restauração de mangal do continente africano. Com base em análises empíricas preliminares, consubstanciadas com uma profunda revisão bibliográfica, o texto identifica os riscos do carbono azul para os residentes nas áreas alvo e contribui para uma maior reflexão sobre as possíveis implicações socioambientais e políticas. Constatou-se que, embora o MozBlue constitua uma oportunidade de negócio para investidores externos, apresenta riscos similares aos de outros projectos ligados aos mercados de carbono e, sendo por isso questionável em termos de implicações sociais e ambientais. Identificaram-se riscos ligados à expropriação de recursos determinantes para a subsistência, assimetria de informação e falta de participação pública, aspectos que são indicativos de possível ineficiência no processo de compensação. Considerando a dimensão do projecto e o elevado risco de intensificação de vulnerabilidade socioambiental das populações afectadas, torna-se necessário que o MozBlue demonstre de que forma as suas metodologias e planos operacionais pretendem fazer face às questões sociais, políticas e ambientais levantadas neste texto.
Junho de 2026

