Autor: João Carrilho
Este artigo apresenta um modelo de análise multidimensional da segurança de posse e direitos de terra, desenvolvido a partir de evidências empíricas recolhidas em Moçambique com apoio na literatura internacional. A proposta conceptual parte da premissa de que a segurança de posse não pode ser reduzida à existência de documentos formais, exigindo uma abordagem que integre dimensões sociais, territoriais, económicas, legais, institucionais e de cidadania activa, operacionalizando o conceito de assemblagem. O modelo organiza estas seis identidades em seis mecanismos cada, resultando numa arquitectura 6×6 composta por 36 variáveis observáveis. A metodologia combina indicadores estruturais normalizados com perguntas de natureza fenomenológicas que captam percepções, narrativas e experiências de insegurança ou estabilidade. A consideração de factores não quantificáveis é indispensável, mesmo quando estes são representados por variáveis nominais ou categóricas. O modelo foi desenvolvido num fluxo de trabalho de “inteligência aumentada”, em que o autor humano conceptualiza e indaga, pede assistência e dialoga com plataformas de inteligência artificial, verificando, reflectindo, corrigindo e definindo os resultados. Os resultados evidenciam que a segurança de posse emerge de equilíbrios complexos entre factores formais e informais e que intervenções eficazes exigem uma leitura integrada destas múltiplas dimensões. O artigo conclui discutindo as implicações teóricas e práticas da abordagem multidimensional, bem como o seu potencial para investigação comparativa, desenho de políticas públicas e formação técnica especializada, abrindo caminho para futuras extensões, calibração empírica e integração com métodos computacionais avançados.
Agosto de 2026
