DR # 388 Evolução da educação em Moçambique: avanços, desafios e perspectivas

Autor: José Amilton Joaquim

A educação em Moçambique é um dos pilares centrais para o desenvolvimento humano, social e económico. Desde a independência, em 1975, o país registou avanços relevantes, contudo, os desafios da educação nos diferentes subsistemas de ensino prevalecem. Este estudo procura reflectir sobre a evolução do sector da educação no âmbito dos distintos subsistemas de ensino, ensino primário e secundário, técnico-profissional e ensino superior. A metodologia adoptada é qualitativa, assente em pesquisa bibliográfica e documental, baseada em artigos científicos, comunicações em conferências, discursos políticos e relatórios nacionais e internacionais.

Os resultados evidenciam que, Moçambique registou avanços significativos na educação desde 1975, com a taxa de analfabetismo a reduzir-se de 98% para 39% e a escolarização primária a ultrapassar os 100%, enquanto o ensino secundário expandiu-se de 9 para 2.450 escolas. Contudo, persistem desafios relacionados com a qualidade do ensino, evidenciados pela baixa proficiência em leitura e matemática, turmas superlotadas, turnos múltiplos e uma transição problemática entre níveis, agravada por altas taxas de desistência, sobretudo entre raparigas, devido a factores socioeconómicos e culturais. O ensino técnico-profissional, embora reestruturado para responder às necessidades do mercado de trabalho, enfrenta limitações na relevância curricular e na adequação às demandas da industrialização. No ensino superior, o número de instituições cresceu de 1 para 56 e as matrículas aumentaram para 237.777, mas a taxa bruta de escolarização permanece baixa (8,19%), reflectindo o acesso limitado, financiamento insuficiente, desafios na formação docente, elevada proporção de estudantes por docente com doutorado, fraca alocação de recursos para investigação.

Apesar da expansão do acesso, o maior desafio da educação em Moçambique continua a ser a melhoria da qualidade, associada à promoção da equidade e ao fortalecimento do financiamento em todos os subsistemas. Em suma, o futuro da educação no país dependerá não apenas do volume de recursos alocados, mas da capacidade de transformar tais investimentos em qualidade, equidade e relevância social, garantindo que o sistema responda de forma eficaz às exigências de um país em crescimento e em busca de desenvolvimento sustentável.

Agosto de 2026

Mês

Agosto

Ano

2026

Verified by MonsterInsights