Autor: Alexandre Abreu
Este texto parte da premissa de que a industrialização soberana, assente no controlo estratégico nacional das capacidades produtivas, na justiça social e na sustentabilidade ecológica, continua a ser uma condição essencial para o desenvolvimento de Moçambique. Com base em contributos clássicos e contemporâneos da economia do desenvolvimento, argumenta-se que a indústria transformadora permanece um motor fundamental da transformação estrutural, da criação de emprego qualificado e da autonomia económica, contrariando a especialização extractivista e a dependência externa.
Para tal, o texto começa por resumir brevemente a história da industrialização moçambicana, desde a industrialização colonial limitada, passando pelo esforço de industrialização estatal após a independência, até à desindustrialização politicamente conduzida associada aos programas de ajustamento estrutural. Nas últimas décadas, a expansão dos megaprojectos extractivos coexistiu com a estagnação da indústria transformadora, reforçando a reprimarização da economia.
Com vista à inversão desta trajectória, defende-se uma estratégia de reindustrialização baseada no reforço da capacidade de planeamento do Estado, na substituição selectiva de importações, na descentralização produtiva, no investimento em capacidades tecnológicas e numa inserção internacional que privilegie a transferência de tecnologia e o processamento local. Por fim, argumenta-se que os principais obstáculos à industrialização são sobretudo políticos, exigindo novas coligações sociais capazes de enfrentar interesses instalados e de promover um projecto nacional de desenvolvimento produtivo e soberano.
Agosto de 2026
