Autor: João Mosca
O presente texto procura verificar a adaptação dos pequenos e médios produtores às condições agroecológicas e de mercado, conformando a longo prazo, lógicas e racionalidades económicas e sociais das famílias camponesas nas suas decisões produtivas. Estas adaptações resultam sobretudo de processos históricos de longo prazo, com mudanças introduzidas pelos mercados a montante (alimentos, tecnologia, conhecimento e insumos) e a jusante (venda da produção e aquisição de bens alimentares e outros bens e serviços essenciais – saúde, escola, têxteis, materiais de construção, transportes, etc.). Existem também factores da organização no quadro das lógicas produtivas, como seja o número e localização de explorações agrícolas, a divisão sexual e etária do trabalho familiar (a tradicional poligamia, o número de filhos, entre outros aspectos).
Este texto é constituído por três secções, além da introdução; Na segunda secção apresentam-se os seguintes aspectos: (1) áreas trabalhadas pelos pequenos e médios produtores (até 10 e 50 hectares, respectivamente), a produtividade e as vendas e perdas de venda (no campo e pós-colheita); (2) tecnologia e técnicas de produção (meios na preparação da terra, sementes, fertilizantes e rega); e, (3) serviços à produção (extensão rural e crédito); No resumo tenta-se fazer uma aproximação descritiva sobre alguns dos factores mais influentes no sistemas de produção e na produtividade agrícola. Os dados deste trabalho têm como base o inquérito realizado pelo então Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural em 2020, cuja informação se encontra processada, sintetizada e analisada no livro Análise do Inquérito Agrário Integrado.
Deste artigo pode-se concluir que a agricultura com lógicas produtivas de mercado, como batata reno, o milho, feijão manteiga, hortícolas, soja e tabaco – por ordem alfabética) são mais capitalizadas, sobretudo em meios de preparação da terra e maior utilização de insumos (sementes melhoradas e fertilizantes e rega). Estas culturas são maioritariamente destinadas à exportação pelas empresas que praticam o out grower, ou para o mercado interno (abastecimento urbano – batata reno, feijão manteiga, hortícolas e milho). A produção de soja e do milho é maioritariamente consumida como matéria-prima da indústria de rações para animais e para consumo interno (caso do milho, com transformação do grão em farinha ou matéria-prima para rações).
Agosto de 2025

