DR # 394 Porquê a agricultura é secundarizada? uma interpretação de economia política, com ênfase nos camponeses

Autores: João Mosca e Yasser Dadá

O presente estudo analisa, numa perspectiva de economia política, os determinantes estruturais da secundarização da agricultura camponesa em Moçambique, procurando compreender a persistente contradição entre a sua relevância económica e social e a reduzida prioridade atribuída nas políticas públicas. Apesar de empregar aproximadamente 70% da população activa e contribuir significativamente para o Produto Interno Bruto, o sector permanece condicionado por insuficiente investimento público, limitado acesso ao crédito, fragilidade institucional e reduzida assistência técnica.

A análise identifica factores políticos, institucionais, económicos, ambientais e de género, demonstrando que a sua interdependência reproduz relações assimétricas de poder, distribuição desigual de recursos e mecanismos de apropriação do excedente agrário. Argumenta-se que a centralização administrativa, a partidarização institucional, o enviesamento urbano das políticas públicas e a predominância de interesses económicos desvinculados da transformação produtiva camponesa constituem determinantes fundamentais desta marginalização.

Consequentemente, a baixa produtividade, a persistência da pobreza rural, a degradação ambiental e as desigualdades de género configuram manifestações de um modelo de desenvolvimento estruturalmente desequilibrado, mais do que problemas exclusivamente técnicos.

Conclui-se que a transformação agrária exige uma reconfiguração das relações entre Estado, mercados e produtores, sustentada pela descentralização efectiva, investimento produtivo, fortalecimento institucional e participação autónoma dos camponeses. Defende-se uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo, capaz de superar os ciclos eleitorais e promover uma transformação estrutural inclusiva, territorialmente equilibrada e socialmente sustentável, mediante a redistribuição efectiva de oportunidades económicas, capacidades produtivas e poder político no espaço rural moçambicano.

Outubro de 2026

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Outubro

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