DR # 379 A inflação em Moçambique (1980 – 2026) uma análise estrutural das suas causas e da incapacidade de resposta das políticas públicas

Autor: Yasser Dadá

A inflação em Moçambique, entre 1980 e 2026, não pode ser compreendida como um fenómeno meramente conjuntural ou temporário. O DR argumenta que se trata de um fenómeno fundamentalmente estrutural, enraizado nas fragilidades produtivas do país, na dependência externa, nas debilidades institucionais e na limitada capacidade das políticas públicas para responderem eficazmente aos choques. Embora Moçambique tenha conhecido períodos de aparente estabilização, sobretudo entre 1995 e 2015, estes foram sustentados, em grande medida, por condições externas favoráveis e não por uma transformação da base económica interna.

A análise identifica cinco determinantes estruturais da inflação: a dependência de importações e a vulnerabilidade cambial; a fragilidade da produção doméstica, em especial da agricultura e da indústria transformadora; os efeitos inflacionários da dívida pública; a fragmentação dos mercados e os elevados custos logísticos; e a informalidade, que limita a transmissão das políticas monetária e fiscal. Estes factores fazem com que choques externos, como o aumento dos preços dos combustíveis, a depreciação cambial, eventos climáticos ou perturbações geopolíticas, se traduzam rapidamente em aumentos dos preços internos, sobretudo dos alimentos e bens essenciais.

O documento mostra ainda que os instrumentos convencionais de política pública têm eficácia limitada. A política monetária, centrada na taxa MIMO, é pouco adequada para uma inflação determinada por constrangimentos de oferta. A política fiscal é limitada por receitas reduzidas, dívida crescente e recursos insuficientes para subsídios ou protecção social. As políticas sectoriais permanecem fragmentadas, subfinanciadas e pouco coordenadas.

Uma estratégia estrutural anti-inflacionária exigiria reduzir a dependência de importações, fortalecer a agricultura e a agro-indústria, reformar a gestão dos preços dos combustíveis, reduzir os custos logísticos, aprofundar o sistema financeiro e construir um sistema permanente e responsivo de protecção social.

Junho de 2026

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2026

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