Autor: Yasser Dadá
O Índice de Preços no Consumidor (IPC) de Maio de 2026, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a 10 de Junho de 2026, regista uma inflação mensal de 2,32% (a mais elevada em vários meses), uma inflação acumulada de 5,19% e uma variação homóloga de 7,22%. Estes números, lidos de forma agregada, descrevem uma aceleração preocupante dos preços. Mas é na sua leitura desagregada (produto a produto, cidade a cidade) que o IPC de Maio revela algo analiticamente mais rico: um paradoxo estrutural que designamos por “síndrome do milho que desce e do tomate que sobe”.
O argumento central deste Destaque é que estes paradoxos são o reflexo de uma estrutura económica em que o produtor rural vende barato o que produz em abundância e paga caro o que não produz ou não consegue armazenar; em que os choques de custos (combustíveis) afectam de forma desproporcionalmente intensa as cidades do interior e do Norte, que dependem mais do transporte rodoviário de longa distância; e em que a inflação dos frescos e do peixe aprofunda a insegurança alimentar das famílias mais pobres mesmo quando os cereais são mais acessíveis. O texto analisa estes paradoxos a partir de uma perspectiva multidisciplinar (económica, social, territorial e política) e conclui com recomendações para uma política de estabilização de preços que proteja simultaneamente os produtores e os consumidores mais vulneráveis.
Junho de 2026

