Autor: João Feijó
O prolongamento do conflito armado no Nordeste de Cabo Delgado vem demonstrando que a resposta militar, por si só, é insuficiente para garantir a estabilidade na região. À medida que as instituições se fragilizam e se revelam incapazes de providenciar serviços de Estado, entre os quais a justiça, assiste-se a uma erosão da legitimidade social e ao colapso da confiança nas instituições públicas. O aparelho de Estado enfrenta uma desmotivação sem precedentes, onde profissionais da educação e saúde sobrevivem entre a extorsão informal e a crescente contestação política.
Este Destaque Rural descreve a fragilidade institucional nos sectores da educação, saúde e justiça, assim como uma economia de sobrevivência. A insegurança generalizada e a ausência de uma base produtiva sólida, a inexistência de ligações de grandes projectos económicos com o tecido económico local, como o Mozambique LNG, deixam a população vulnerável e dependente de assistência humanitária, largamente insuficiente para as necessidades. O caos social e o vazio de autoridade moral é explorado pela insurgência, através de tentativas de coexistência com as populações da costa. O texto sugere que uma vitória contra a insurgência depende da capacidade de o Estado se transformar de um actor de coerção, alinhado com os interesses de empresas multinacionais, num garante de cidadania e de coesão social.
Fevereiro de 2026



