Autores: João Feijó e Rita Chiúre
Apesar de os jovens urbanos terem constituído uma das faces mais mediáticas dos protestos pós-eleitorais, ao longo deste texto demonstra-se que as manifestações envolveram grupos sociais bem mais alargados e heterogéneos, em termos geográficos, de género, etários, mas também em termos de situação económica e possibilidades de consumo. Os diversos grupos sociais aproveitaram o cenário pós-eleitoral para apresentar as respectivas preocupações sociais, convergindo as diversas frustrações contra o partido no poder. Não obstante as elevadas desigualdades e contradições que estruturam a sociedade moçambicana, durante os protestos verificou-se uma convergência entre as diversas classes sociais, em torno de um projecto vago de mudança. À medida que o poder foi caindo na rua e aumentando a insegurança das classes médias, acções de solidariedade foram dando lugar a atitudes de maior desconfiança em relação aos mais desfavorecidos.
Junho de 2025



