Autor: Nehemias Lasse, Máriam Abbas e Arsénio Jorge
Este estudo avalia o potencial dos sistemas de produção e de subsistência na promoção da segurança alimentar, redução da pobreza e conservação da biodiversidade nas quatro comunidades ao longo do estuário do rio Limpopo, na localidade de Chilaulene. Adoptou-se uma abordagem mista, onde foram realizadas 8 entrevistas a informantes-chave; 4 grupos focais envolvendo praticantes de diversas actividades de subsistência e rendimento, e 262 inquiridos de agregados familiares (AFs) seleccionados aleatoriamente numa amostra probabilística, considerando 10% de erro amostral, 90% de confiança e 0,5 da estimativa da população. Foram feitas análises de: 1) Níveis de segurança alimentar; 2) Pobreza multidimensional; 3) Percepção sobre a importância da biodiversidade; 4) Caracterização de sistemas de produção e de subsistência. Os resultados apontam para insegurança alimentar generalizada; incidência de pobreza em pelo menos, 25% dos inquiridos; e razoável percepção (acima de 50% de AFs) da importância da biodiversidade, sobretudo dos indicadores associados aos serviços ecossistémicos de protecção e de acesso à pesca. Nesta região, são predominantes sistemas de produção não diversificados, caracterizados por agricultura praticada na zona baixa + pecuária, destinados ao consumo. Estes sistemas predominantes, apresentam rendimentos brutos baixos (alto índice de pobreza), quando comparados com os sistemas diversificados que, apesar de praticados por menor proporção de AFs, são os que possuem maior potencial de redução da pobreza e redução da insegurança alimentar. Com base nestes resultados, recomenda-se a integração de medidas de diversificação de fontes de subsistência e de rendimento nas iniciativas de conservação da biodiversidade, e de desenvolvimento, com especial envolvimento das mulheres, que constituem a maior proporção na liderança dos AFs nesta região. Adicionalmente, são necessárias acções infra-estruturais (reconstrução de diques de protecção, abertura de valas de drenagem e canais de rega, etc.), que permitam a recuperação da capacidade produtiva do estuário do Limpopo, seja para pesca, seja da produtividade agrícola.
Novembro de 2025
