OR #96 – Micro-simulações dos impactos da COVID-19 na pobreza e desigualdade em Moçambique

OR #96 – Micro-simulações dos impactos da COVID-19 na pobreza e desigualdade em Moçambique


Descrição

  • 20 Julho 2020

A presente pesquisa teve como objectivo estimar a pobreza, o número de pessoas em situação de pobreza e os níveis de desigualdade diante dos impactos negativos da COVID-19.

A metodologia consistiu no uso da base de dados do mais recente inquérito do Orçamento Familiar (IOF14/15). Com base no IOF14/15, foram conduzidas as micro-simulações que comportaram a adopção de três cenários de contracção do consumo dos agregados familiares. O primeiro cenário, optimista, prevê a redução no consumo entre 5 e 10%, o segundo, moderado, prevê a redução entre 10 e 15% e, o pessimista, considera a redução entre 15 e 20%. Estas reduções não são homogéneas a todos os agregados familiares.

Definiu-se uma matriz de características que influenciaram os níveis de contracção de consumo, tais como: o nível de pobreza registado na última avaliação, o estado desfavorável anterior de algumas províncias afectadas pelos ciclones Idai e Kenneth, a insegurança que ocorre desde 2017 em Cabo Delegado e o tamanho do agregado familiar nas zonas rurais. Com base nestas micro-simulações, foram calculados os índices de pobreza considerando os critérios do limiar da pobreza nacional e internacional (do Banco Mundial), a incidência sobre as desigualdades e estimou-se o número de pessoas que engrossarão a pobreza. A simulação considerando o critério internacional tem por objectivo permitir comparações com outras realidades e, a nível nacional, as diferenças dos resultados entre os dois critérios.

Os resultados das micro-simulações com base no critério nacional indicam que a pobreza, a nível nacional, poderá aumentar para 75.5%, 77.7% ou 81.7%, para cada um dos três cenários, respectivamente, um retrocesso de mais de vinte anos. Usando a linha de pobreza internacional, a pobreza, a nível nacional, poderá aumentar para 92.6%, 93.1% ou 93.37%, conforme forem considerados os três cenários. Em ambos os casos, a pobreza é mais acentuada nas zonas rurais do que nas zonas urbanas. Pode-se admitir que o efeito da COVID-19 seja mais acentuado nas cidades, porém, o ponto de partida dos índices de pobreza (IOF 14/15) revela uma maior incidência da pobreza no meio rural que os efeitos da COVID não eliminam plenamente, ao ponto de tornar o índice de pobreza urbana mais elevado. Estes aumentos nos índices de pobreza quase que impossibilitarão o cumprimento da meta dos ODS, de erradicar a pobreza até 2030.