DR #50 – Deflação (inflação negativa) dos preços alimentares em 2018?

DR #50 – Deflação (inflação negativa) dos preços alimentares em 2018?


Descrição

  • 20 Fevereiro 2019

O Observatório do Meio Rural (OMR) publicou, no início de cada mês de 2018, um Boletim de Preços Alimentares. Os dados foram obtidos em cinco bazares em Maputo, cinco na Beira e três em Nampula, todas as semanas, às quartas-feiras, sensivelmente à mesma hora. Foram recolhidos preços de quinze bens, considerados básicos na dieta alimentar: açúcar castanho, amendoim, arroz, batata-reno, carvão, cebola, coco, farinha de milho, feijão nhemba, massa esparguete, óleo alimentar, peixe carapau, repolho, sal e tomate.

Este Destaque Rural procura compreender as razões da evolução do nível médio dos preços dos bens estudados e discutir se esse facto constitui, ou não, um sinal positivo da economia. Questionam-se algumas questões elementares acerca da metodologia de cálculo da inflação do país.

Em resumo: (1) o cálculo da inflação não é fácil e as bases usadas não reflectem, por várias razões, a inflação da economia e, em particular, dos bens alimentares; (2) a existência de uma situação de deflação, ou de redução rápida e de grande amplitude da inflação, não é necessariamente positiva. Por outro lado, uma inflação alta deve ser evitada porque é fortemente penalizadora, num primeiro momento, sobre o investimento e o consumo, sobretudo para os grupos sociais de menor rendimento; por isso a inflação é considerada como o “imposto dos pobres”. É necessário saber quais os factores que provocaram a redução da média dos preços. No caso em análise, provavelmente, a deflação não resultou de uma evolução positiva de alguns aspectos da economia e da sociedade. Por estas razões, as considerações sobre a inflação devem centrar-se sobre quais os factores que provocam essas evoluções.

Anexos